terça-feira, 27 de março de 2012

Vídeo-aula 18: EDH e Ambiente escolar

A Professora Ana Maria Klein fala sobre a Educação em Direitos Humanos (EDH) e o Ambiente Escolar.

Educar em e para os DH
Como já  discutido em outros momentos neste mesmo blog, não basta que os direitos sejam assegurados no plano jurídico; as pessoas precisam não apenas se informar, mas, acima de tudo, valorar seus direitos e colocá-los em prática em seu cotidiano. Daí a necessidade de um projeto educativo em torno do tema. A educação tem importância ímpar no estabelecimento de uma cultura de DH, já que ela age no sentido de promover os direitos, informar e atuar na construção e valoração positiva desses direitos.

Modo de vida: é preciso transformar os direitos em um modo de vida.
A EDH é um caminho a ser trilhado e não um objetivo a ser alcançado. Trata-se de um modo de vida que deve orientar a o cotidiano escolar e comunitário, o que implica em:
- vivência e convivência em ambientes democráticos e orientados pelos DH: a escola deve funcionar de forma democrática, os discursos devem transparecer nas práticas cotidianas. 
- ações protagonistas por parte dos estudantes: os alunos são parte central do processo educativo, pois precisam participar ativamente, discutindo temas, expressando ideias e opiniões. 
- articulação entre a escola e a comunidade: já que a escola está inserida em uma comunidade, é importante que ela se relacione com sua vizinhança.
- práticas e ações voltadas à promoção dos DH: os alunos precisam ter a possibilidade de desenvolver ações voltadas para a promoção dos DH, como campanhas de solidariedade.

Ambiente escolar
Segundo Chaparro (apud DUARTE, 2003), o ambiente escolar relaciona-se a todos os processos educativos, que têm lugar na escola e envolvem:
- ações, experiências, vivências por cada um dos participantes;
- múltiplas relações com o entorno;
- condições sócio-afetivas;
- condições materiais;
- infraestrutura para a realização de propostas culturais educativas.
A Professora Ana Maria enumera duas macro-dimensões do ambiente escolar, que sintetizam onde os DH devem se fazer presentes.
- relações humanas: espaço das relações interpessoais e das relações dos estudantes com conhecimento, motivação dos estudantes e dos docentes, forma de resolução de conflitos, princípios que orientam a vida em comum, relações com a comunidade.
- espaço físico: edificações, cuidados com a estrutura física, instalações sanitárias, localização, mobiliário, etc. A estrutura física e a organização do espaço escolar revelam conceções de educação e definem possibilidades e limitações das interações entre as pessoas; assim, a organização do espaço da sala de aula também é um fato importíssimo a ser considerado, sobretudo quando temos em mente metodologias ativas.

Relações Humanas: como trazer DH para o cotidiano
A Professora traz orientações e ações, que constam tanto do Programa Mundial  de EDH (PMEDH) e também do Plano Nacional da EDH, para construir um ambiente escolar que tenha os DH como modelos de vida. Vamos a elas:
- discutir e definir conjuntamente direitos e responsabilidades dos estudantes e dos professores com base em uma distribuição clara de papéis e tarefas;
- utilizar procedimentos dialógicos para a resolução de problemas e para lidar com a violência e a intimidação;
- estudantes devem ter oportunidades de auto-expressão, responsabilidades e participação na tomada de decisão.;
- estudantes devem ter oportunidade para organização de suas próprias atividades, para representar, mediar e defender seus interesses;
- conscientização de pais e familiares sobre os direitos das crianças e sobre os principais prinícipos da EDH;
- participação de pais na tomada de decisões da escola por meio de organizações de representantes de pais (ex: conselho escolar);
- projetos e serviços extracurriculares dos estudantes na comunidade, particularmente sobre questões de DH;
- o reconhecimento e a celebração das conquistas em DH por meio de festividades.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Vídeo-aula 17: Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos

Na vídeo-aula 17, a Professora Aida Monteiro trata do Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (EDH).

O Plano Nacional de Educação em EDH, que aparece em 2003 e tem versão revisada em 2006, surge a partir de movimentos no âmbito nacional e internacional. No âmbito internacional, podemos destacar documentos emblemáticos na luta pelos EDH, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948 e a Conferência de Viena, de 2003. No âmbito nacional, A Constituição de 1988 (Constituição Cidadã), a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). 
O grande entrave para que a sociedade brasileira avance na conquista de seus direitos é o desconhecimento das pessoas sobre o assunto. Importante lembrar que apenas conhecer nossos direitos não é suficiente, é necessário que tenhamos o desenvolvimento e o exercício da luta, já que é no exerício da reivindicação que nossos direitos vão se concretizando e se efetivando. A EDH tem como fundamento o fortalecimento da democracia, ajudando a humanizar as pessoas, em termos de sua dignidade. 
O Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos aparece para contribuir com o sistema de ensino, que deve elaborar suas próprias políticas, incluindo como eixo norteador os Direitos Humanos. Para a elaboração do documento, foi criado o Comitê Nacional de EDH, que conta especialistas em várias áreas de conhecimento. 
A EDH é entendida como um processo sistemático, multidimensional, já que ela traz um conjunto das dimensões do ser humano, não limitando-se a tratar de uma dimensão específica, como afetiva ou emocional, por exemplo.
A Professora Aida apresenta as cinco grandes áreas no qual o Plano está organizado:
- educação básica: tem como perspectiva trabalhar a EDHA como um direito humano e que essa educação seja transversalizada.
- educação superior: a educação superior no Brasil ainda é muito conteudista e tradicional, tendo a memorização como principal forma de trabalhar o conhecimento. O que se busca, porém, é a relação entre ensino, pesquisa, extensão e diálogo com o conteúdo de direitos humanos. Os curriculos devem ter, de forma disciplinar ou interdisciplinar, conteúdos capazes de conscientizarem e formarem pessoas que conheçam e reivindiquem seus direitos. 
- educação não formal: orientar instituições [ONGs] a desenvolverem ações que tenham como eixo a discussão sobre direitos humanos.
- educação para os profissionais do sistema de justiça e segurança: a favor do bem social, esses profissionais devem ser bem orientador quanto ao assunto.
- educação e mídia: aprendemos por meio das comunicações, que forma opiniões e influencia atitudes. É preciso incluir a EDH, que deve ser trabalhada no ambiente da escola, trazendo a temática para o interior do conteúdo de suas disciplinas.

O Plano Nacional da Educação em Direitos Humanos é um grande avanço para o Brasil, sendo referência em outros países, e, de certa maneira, é um documento balizador, uma política pública para orientar os sistemas, governos, sociedade civil. Traz informações e linha prográmatica, um conjunto de ações que podem ser desenvolvidas para ampliar, incorporar e estimular a criação de novos documentos para que a EDH seja, de fato, fortalecida. 

Leitura sugerida: Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos: http://portal.mj.gov.br/sedh/ct/spddh/pnedh.pdf


sábado, 24 de março de 2012

Vídeo-aula 16: Encaminhamentos pedagógicos: blog no ensino de ciências

A vídeo-aula 16 é uma continuação da aula anterior. A Professora Monica Fogaça fala sobre os encaminhamentos pedagógicos, citando uma prática pedagógica, conduzida durante um ano, nas aulas de ciências, nas classes de 9º ano do ensino fundamental. 

A escolha do blog entre as mídias socias
- Web 2.0 (divulgação x produção): ferramenta online.
- mídias sociais (blog, wiki, redes sociais, podcast, videocast, RSS).
- síncronas (interação rápida) ou assíncronas (reflexão, pesquisa).
- tipos de uso: memória, divulgação de projetos, análise de casos, contato e discussão com audiência mais ampla, resolução de problemas, trabalho colaborativo.

A condução da prática pedagógica
- mapeamento das práticas culturais ("Orkut Concreto", prática realizada em sala de aula a fim de descobrir a cultura da comunidade).
- construção de temas culturais (conteúdos de ciências se incorporarão a esses temas).
- os alunos montaram grupos e produziam textos contando as experiências na sala de aula para postar no blog.
- negociação da prática cultural e observação de indicadores da gestão democrática = diferença entre uso de tecnologia digital e noção de tecnocultura - é preciso que haja um diálogo entre professor e aluno.
- leitura dos blogs para busca de pistas das representações de conceitos e de identidade e para preparo das atividades didáticas.
- vários tipos de atividades didáticas (laboratório, texto, debate, problemas) + estímulo da troca de comentários nos blogs.
- estudos de conceitos de física, química e biologia e de outras áreas (economia, história e linguagem) foram trabalhados com dois focos para descontrução: procedências (ressignificação e ampliação dos significados iniciais das culturas juvenis).

O blog e outras práticas pedagógicas devem ser utilizadas como meios de dialogar e facilitar a aproximação e maior eficácia na aprendizagem.


sexta-feira, 23 de março de 2012

Vídeo-aula 15: Produção da identidade/diferença: culturas juvenis e tecnocultura

Na vídeo-aula 15, a professora Monica Fogaça fala sobre a importância da tecnocultura/cybercultura na produção da identidade juvenil.

O que é juventude?
- Concepção natural ou cultural? Maturação ou produto das condições históricas e dos discursos? A autora afirma que mais do que uma etapa de maturação natural, juventude é o resultado das condições econômicas, políticas e culturais de cada época e local. Além, disso, há os discursos do meio que influenciam no que eles virão a ser. As culturas juvenis são produzidas por produções históricas e discursos.

2. Condições históricas e discursos
- Elite na Grécia Antiga (direito ao ócio): ser jovem na Grécia Antiga era até os 40 anos de idade, tempo para se preparar para os cargos de comando.
- Invenção da infância no século XVII (separação das práticas de adultos e crianças) - século 17: primeiro passo para a construção atual da juventude. Redução da taxa de mortalidade, invenção da imprensa, mudança das arquiteturas das casas, o que isola crianças e adultos.
- Necessidade pós-revoluções industriais (produção da juventude na classe média) - séculos 18 e 19: passa-se a ser necessário aprender mais que ler, escrever e contar, já que é necessário, agora, a preparação para o mundo do trabalho. 
- O estado de bem-estar social e a juventude transviada (produção da juventude para o empobrecidos e o papel das mídias) - 1945-1975: o auge do crescimento do capitalismo, principalmente na Europa e nos EUA, possibilita nova taxa de ingresso nas escolas. Surgem leis de garantia de acesso à educação até os 16 anos. No Brasil, a conquista é recente. Nessa fase, o crescimento econômico é concomitante ao crescimento das mídias, que começam a discursar formas de ver o que é ser jovem. A ideia de jovem universal: ser rebelde, usar drogas, fazer experimentações sexuais, gostar principalmente de rock.
Trailer do filme Juventude Transviada (Rebel without a case), de Nicholas Ray, 1955. O filme, com James Dean no papel principal, retrata muito bem a concepção de jovem da década de 50.

É importante lembrar que a mídia divulga aquilo que já é prática de alguns grupos sociais e, dessa forma, crianças e jovens podem se identificar, por conta do que já vivem em suas culturas e, assim, desenvolver novos comportamentos. A mídia não determina, o que existe é um processo de identificação.

- Noção da diversidade de cultura juvenis (identificação e ressignificação das mídias) - 1960: potência na escola. Não existe um padrão de cultura juvenil, vestimentas, gostos e comportamentos diferentes. 

O padrão de jovens divulgado pelas mídias: seguros, felizes, cheio de amigos. Disponível em http://vaccarezza.com.br/wp-content/uploads/2011/01/jovens-felizes.jpg




As diferenças.


O padrão de jovens agora divulgado nas mídias é o padrão de jovem de sucesso, feliz, seguro, popular, que participa de muitas festas, geralmente apresentado associado a artistas, esportistas; não ser, assim, dessa forma, é ser diferente. A mídia não inventa padrões, mas conhece grupos e segura essa identificação, encontrando tendências. O jovem é uma minoria subjugada na escola, pois os discursos apontam que ele é violento, agressivo, que não tem conhecimento; seus saberes estão contidos como 'não adequados para o mundo acadêmicos'. A escola deve mapear, levantar quais as características dos grupos de jovens da comunidade para produzir suas práticas pedagógicas, gerando produção - o que vai propiciar o diálogo durante as aulas.


3) Tecnocultura: a cultura juvenil urbana


A maioria dos jovens urbanos tem por cultura a internet. A MTV encomendou 5 dossiês de 1999 para verificar quais são os comportamentos dos jovens e descobriu a grande importância que tem os aparelhos eletrônicos na vida deles. Mais de 90% utilizam aparelhos eletrônicos e suas diferentes linguagens. 
- tecnologia digital x tecnocultura: vivem na internet um conjunto de práticas diferentes do que eles vivem do lado de fora. Não apenas usam a tecnologia, mas fazem parte dela, como se fosse algo integrado ao próprio corpo.
- Cyborgs: desnaturalização do copo, do tempo, do espaço, dos contextos, outras linguagens, outras formas de pensamento, o que confere poder e é o espelho dos limites que eles precisam ter.
- inseguros com o corpo, relação social presencial, com a violência, outras formas de intervenção (espaço com potencial democrática, associando-se com a tecnocultura)

No link, uma matéria de Outubro de 2010, veiculada no site da Revista Nova Escola, abordando o questão da forte ligação do jovem com a tecnologia. 


É preciso conhecer e respeitar práticas, dialogando, integrando, produzindo híbridos, em um espaço de ensino-aprendizagem que pode gerar influências sobre a formação das identidades juvenis.


terça-feira, 20 de março de 2012

Vídeo-aula 14: Dimensões da EDH

A professora Ana Maria Klein fala sobre as dimensões da EDH na vídeo-aula 14.

MARCOS DA EDH
- Década das Nações Unidas em Matérias de Direitos Humanos (1995 - 2005).
- No Brasil, o Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (PNEDH), elaborado em 2003 e revisto em 2006: traz orientações para que a EDH em Direitos Humanos seja implementada no país.
- O Programa Nacional de Direitos Humanos , PNDH - 3, tem um eixo dedicado à educação e cultura em direitos humanos.
- O Conselho Nacional de Educação elabora as Diretrizes Nacionais de EDH com caráter mandatório e previstas para 2012: instituições de educação terão que desenvolver uma EDH, desde a educação infantil até a graduação.

DIMENSÕES DA EDH: devem estar presentes em relação ao conhecimento construídos pelos alunos
1) Conhecimentos historicamente construídos sobre EDH e a sua relação com os contextos internacional, nacional e local
Conceitos: debates, pontos de vista, polêmicas e desafios relacionados aos DH.
História: origem, construção histórias dos direitos, relação entre democracia e DH.
Normas: instrumentos de direitos humanos, documentos internacionais e regionais de diferente natureza e efeito jurídico.
Instituições: instâncias de proteção de direitos.

2) Valores, atitudes e práticas sociais que expressem a cultura dos direitos humanos
Valores presentes nos instrumentos de EDH: dignidade, liberdade e responsabilidade, igualdade e não discriminação, justiça e equidade, solidariedade e cooperação, participação, pluralismo, diversidade e inclusão.

3) Desenvolvimento de processos metodológicos participativos de construção coletiva, utilizando linguagens e materiais didáticos contextualizados: estudante como elemento central do processo educativo, é importante que tenhamos metodologias que façam com que o aluno seja protagonista do processo.
Centralidade da aprendizagem e protagonismo discente. 

4) Fortalecimento de práticas individuais e sociais que gerem ações e instrumentos em favor da promoção, da proteção e da defesa dos direitos humanos, bem como a reparação das violações.
Pensamento crítico, cidadania participativa e meios (projetos investigativos e sociais, ações voltadas à comunidade).


Não basta ter informação de seus direitos. É preciso que se construam valores e que se reconheçam os direitos dos outros.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Vídeo-aula 13: Histórico da EDH – documentos referência

A professora Nazaré Zenaide fala sobre os documentos de referência na Educação em Direitos Humanos (EDH).

O Século XX é importante do ponto de vista da inserção dos Direitos Humanos nos documentos internacionais. Vamos aos principais:

1948: Declaração Universal dos Direitos Humanos: a partir dela, os países incorporaram às suas constituições. O tema do respeito integral aos direitos humanos é incorporado à educação.

1948: Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem.

1960: Convenção relativa à luta contra as discriminações na esfera do Ensino: é preciso não apenas proteger as crianças, mas educar no sentido de que a diversidade é um valor humano que precisa ser valorizado.

1966: Pacto dos Direitos econômicos, Sociais e Culturais: direito à educação não se restringe à igualdade de oportunidade, mas, cada pessoa, deve implicar-se na realização de direitos. A EDH é parte da educação. A educação é um direito e um meio indispensável para a realização dos demais direitos e desempenha um papel decisivo na promoção dos direitos humanos e da democracia, deve orientar-se para o desenvolvimento da dignidade da pessoa humana, a participação social e o pleno desenvolvimento da personalidade.

1969: Convenção Americana sobre Direitos Humanos

A partir de 74, a UNESCO cria documentos específicos para a EDH, que passa a fazer parte da política da educação dos países.

1989: Convenção sobre os Direitos da Criança: educar a criança para imbuir nela a noção de seus direitos e prepará-la para a cidadania.

1989: Convenção Europeia dos Direitos do Homem e das Liberdades Fundamentais.

1993: Declaração e Plano de Ação de Viena: é preciso fazer uma campanha no campo da mídia sobre a EDH, formar de professores capacitados para trabalhar com o tema e cada país deve criar sua política de EDH.

A Década da Educação em Direitos Humanos: 1995 a 2004 - os governos precisam institucionalizar seus comitês, planos nacionais, sua política de EDH, a fim de ampliar ao máximo a EDH, para que todos tenham acesso e saibam de seus direitos.

2001: Carta Democrática Interamericana.

2004: Programa Mundial de Educação em Direitos Humanos, proclamado pela ONU: elaboração de diretrizes que subsidiem o sistema forma de ensino, construção de normas e pactos exercitando a cidadania ativa, o sistema de ensino deve pautar-se pelos valores entendimento, responsabilidade mútua, igualdade, respeito, fraternidade, autonomia, autoestima.

2009: Conferência Mundial sobre o Ensino Superior: aponta como responsabilidade social da Educação Superior  "promover o pensamento crítica e a cidadania", assim como "o desenvolvimento sustentável, a paz, o bem estar e a realização dos direitos humanos", além de "contribuir para a educação de cidadãos éticos, comprometidos com a construção da paz, com a defesa dos direitos humanos e com os valores da democracia".

2010: Pacto Interamericano de Educação em Direitos Humanos: a EDH, mais que um simples conteúdo intelectual, deve ser entendida como mediadora entre a prescrição normativa e a realização dos direitos na cotidianidade; é fundamental e obrigatória para a democracia, necessidade do reconhecimento legal do direito à Educação em Direitos Humanos.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Vídeo-aula 12: Multiculturalismo: encaminhamentos pedagógicos

O professor Marcos Garcia Neira apresenta os encaminhamentos pedagógicos inspirados no multiculturalismo.

CURRÍCULO MULTICULTURALMENTE ORIENTADO
- prestigia procedimentos democráticos: desde o planejamento de ensino, as ações devem ser sensíveis ao que as pessoas estão pensando, ao reconhecimento que as pessoas trazem.

- reflexão crítica sobre as práticas sociais: debater as práticas sociais, sejam elas pertencentes às diversas áreas do conhecimento.

- promove o entrecruzamento de culturas: a partir da análise das práticas sociais, é importante que os alunos tenham acesso a novas perspectivas sobre uma mesma ideia.

- resistência à reprodução da ideologia dominante: currículos estão contaminados com visões de mundo. Assim, um currículo multiculturalmente orientado deve resistir a esses elementos.

- questionamento das relações de poder 

- enfatiza as diferenças: prioriza, valoriza e enfatiza as diferenças, evitando a homogeneização. 

A PRÁTICA PEDAGÓGICA
- tematização: um mesmo assunto enfocado sob diversos pontos de vista; o tema não é apresentado como verdade única.

- reconhecimento do patrimônio cultural da comunidade: a bagagem cultural dos alunos não deve ser ignorada, ao contrário, é um dos elementos que devem fazer parte da tematização.

- hibridização discursiva: os discursos - acadêmico, cultural experiencial dos alunos, conhecimento do senso comum - são misturados no currículo. Currículo mestiço.

- mecanismos de diferenciação pedagógica: atividades organizadas de forma a valorizarem o repertório dos alunos de formas diferentes. É importante misturar pesquisas, leituras, coleta de dados, entrevistas, depoimentos, variação de fontes - se priorizamos sempre o mesmo espaço de coleta de informações, acabamos priorizando o mesmo olhar sobre as coisas do mundo; é preciso variar os recursos didáticos, para que  os alunos acessem visões diferentes.

- pedagogia do dissenso (Pete Mclaren): a sala de aula deve ser um encontro de posicionamentos diferentes.

- concepção metodológica dialética: troca de significados diferentes, desenvolvendo análises profundas e variadas, alcançando sínteses, pessoais ou coletivas.

- abordagem etnográfica: olhar para o tema e tentar encontrar suas origens, investigando porque determinadas marcas estão presentes; olhar para os temas e tentar identificar que relações de poder atuaram para que uma explicação prevalecesse sobre outra.

- registro: pode ser feito pelos professores, alunos ou ambos. O registro permite avaliar o processo e analisar o trabalho.