quarta-feira, 28 de março de 2012

Vídeo-aula 19: Relações etnicorraciais na escola

Na vídeo-aula 19, Cesar Rodrigues discute as relações etnicorracionais na escola.


Conceituando "raça":
- categoria, sorte, espécie.
- utilizado na zoologia e na botânica para classificar animais e vegetais. 
- com o progresso dos estudos em genética humana, biologia molecular e bioquímica.
- conceito sem validade para explicar a espécie humana, o que não significa que todas as populações e seus indivíduos sejam geneticamente semelhantes.
- o problema da utilização do termo para denominar a espécia humana: rastro da hierarquização = escala de valores entre grupos populacionais: biológico x qualidades intelectuais, culturais e psicológicas); como consequência dessa hierarquização: decreto da raça branca como superior às raças negra e amarela, por conta desse grupo populacional ser dominante em dado momento da história mundial.
- o termo raça esconde algo não proclamado, que seria a relação de poder e dominação, que acontece entre grupos populacionais. 

Racismo
- Segundo o dicionário Houaiss, 'conjunto de teorias e crenças que estabelecem uma hierarquia entre as raças, entre as etnias" ou "doutrina ou sistema político fundado sobre o direito de uma raça (considerada superior) de dominar outras" 
- segundo Kabenguele Munanga, o termo foi criado na década de 20 e o seu conceito não é consensual.
- racismo clássico (se alimenta da noção de raça como fundamentação) e racismo novo (se alimenta da noção de etnia).

Etnia
Segundo Munanga (2004, p. 29):
- conjunto de indivíduos que, histórica ou mitologicamente, têm um ancestral comum, uma língua em comum, uma merma religião ou cosmovisão, uma mesma cultura, moram geograficamente num mesmo território.
Na educação contemporânea, o termo etnia passa a ser usado por ser considerado politicamente correto.
- algumas etnias podem construir sozinhas nações;
- substituir o termo raça por etnia é apenas uma questão semântica, porém as vítimas são as mesmas, as raças de ontem são as etnias de hoje. Não adianta substituir a palavra para abrandar a relação desigual entre as culturas, pois estamos usando um termo que soa melhor aos ouvidos, mas as questões de relações desiguais de poder continuam a acontecer.
- um grupo racial pode ter muitas etnias, porém, uma etnia só compreende uma raça.

Somos um país de mestiços: uma afirmação perigosa, pois reforça o mito da democracia racial (a ideia de que todos são avaliados por suas capacidades, independente de raça), escondendo grandes diferenças entre as populações. Quando reconhecemos que somos um país composto por mestiços, reconhecemos que temos as mesmas oportunidades, porém, não é o que acontece, pois muitos grupos ainda tem dificuldade de acesso a muitos serviços. 

Discursos de igualdade racial e/ou mestiçagem na escola
Refletem-se nas secretarias, nos corredores, nos banheiros, no pátio e, principalmente, na sala de aula. Quem sofre as consequências desses discursos são os alunos e alunas negros. Também produzem identidades de diferenças entre os alunos. Cabe aos professores observar o decorrer e as atitudes de preconceito, e suas próprias atitudes. Intervir e discutir sobre esses elementos e marcadores sociais é muito importante para que possamos atingir a questão da justiça curricular e social.

O vídeo mostra uma entrevista com Demétrio Magnoli, sociólogo e doutor em Geografia Humana pela USP, sobre o racismo na escola e o que fazer em sala de aula para eliminar o mito da raça. 



terça-feira, 27 de março de 2012

Vídeo-aula 18: EDH e Ambiente escolar

A Professora Ana Maria Klein fala sobre a Educação em Direitos Humanos (EDH) e o Ambiente Escolar.

Educar em e para os DH
Como já  discutido em outros momentos neste mesmo blog, não basta que os direitos sejam assegurados no plano jurídico; as pessoas precisam não apenas se informar, mas, acima de tudo, valorar seus direitos e colocá-los em prática em seu cotidiano. Daí a necessidade de um projeto educativo em torno do tema. A educação tem importância ímpar no estabelecimento de uma cultura de DH, já que ela age no sentido de promover os direitos, informar e atuar na construção e valoração positiva desses direitos.

Modo de vida: é preciso transformar os direitos em um modo de vida.
A EDH é um caminho a ser trilhado e não um objetivo a ser alcançado. Trata-se de um modo de vida que deve orientar a o cotidiano escolar e comunitário, o que implica em:
- vivência e convivência em ambientes democráticos e orientados pelos DH: a escola deve funcionar de forma democrática, os discursos devem transparecer nas práticas cotidianas. 
- ações protagonistas por parte dos estudantes: os alunos são parte central do processo educativo, pois precisam participar ativamente, discutindo temas, expressando ideias e opiniões. 
- articulação entre a escola e a comunidade: já que a escola está inserida em uma comunidade, é importante que ela se relacione com sua vizinhança.
- práticas e ações voltadas à promoção dos DH: os alunos precisam ter a possibilidade de desenvolver ações voltadas para a promoção dos DH, como campanhas de solidariedade.

Ambiente escolar
Segundo Chaparro (apud DUARTE, 2003), o ambiente escolar relaciona-se a todos os processos educativos, que têm lugar na escola e envolvem:
- ações, experiências, vivências por cada um dos participantes;
- múltiplas relações com o entorno;
- condições sócio-afetivas;
- condições materiais;
- infraestrutura para a realização de propostas culturais educativas.
A Professora Ana Maria enumera duas macro-dimensões do ambiente escolar, que sintetizam onde os DH devem se fazer presentes.
- relações humanas: espaço das relações interpessoais e das relações dos estudantes com conhecimento, motivação dos estudantes e dos docentes, forma de resolução de conflitos, princípios que orientam a vida em comum, relações com a comunidade.
- espaço físico: edificações, cuidados com a estrutura física, instalações sanitárias, localização, mobiliário, etc. A estrutura física e a organização do espaço escolar revelam conceções de educação e definem possibilidades e limitações das interações entre as pessoas; assim, a organização do espaço da sala de aula também é um fato importíssimo a ser considerado, sobretudo quando temos em mente metodologias ativas.

Relações Humanas: como trazer DH para o cotidiano
A Professora traz orientações e ações, que constam tanto do Programa Mundial  de EDH (PMEDH) e também do Plano Nacional da EDH, para construir um ambiente escolar que tenha os DH como modelos de vida. Vamos a elas:
- discutir e definir conjuntamente direitos e responsabilidades dos estudantes e dos professores com base em uma distribuição clara de papéis e tarefas;
- utilizar procedimentos dialógicos para a resolução de problemas e para lidar com a violência e a intimidação;
- estudantes devem ter oportunidades de auto-expressão, responsabilidades e participação na tomada de decisão.;
- estudantes devem ter oportunidade para organização de suas próprias atividades, para representar, mediar e defender seus interesses;
- conscientização de pais e familiares sobre os direitos das crianças e sobre os principais prinícipos da EDH;
- participação de pais na tomada de decisões da escola por meio de organizações de representantes de pais (ex: conselho escolar);
- projetos e serviços extracurriculares dos estudantes na comunidade, particularmente sobre questões de DH;
- o reconhecimento e a celebração das conquistas em DH por meio de festividades.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Vídeo-aula 17: Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos

Na vídeo-aula 17, a Professora Aida Monteiro trata do Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (EDH).

O Plano Nacional de Educação em EDH, que aparece em 2003 e tem versão revisada em 2006, surge a partir de movimentos no âmbito nacional e internacional. No âmbito internacional, podemos destacar documentos emblemáticos na luta pelos EDH, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948 e a Conferência de Viena, de 2003. No âmbito nacional, A Constituição de 1988 (Constituição Cidadã), a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). 
O grande entrave para que a sociedade brasileira avance na conquista de seus direitos é o desconhecimento das pessoas sobre o assunto. Importante lembrar que apenas conhecer nossos direitos não é suficiente, é necessário que tenhamos o desenvolvimento e o exercício da luta, já que é no exerício da reivindicação que nossos direitos vão se concretizando e se efetivando. A EDH tem como fundamento o fortalecimento da democracia, ajudando a humanizar as pessoas, em termos de sua dignidade. 
O Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos aparece para contribuir com o sistema de ensino, que deve elaborar suas próprias políticas, incluindo como eixo norteador os Direitos Humanos. Para a elaboração do documento, foi criado o Comitê Nacional de EDH, que conta especialistas em várias áreas de conhecimento. 
A EDH é entendida como um processo sistemático, multidimensional, já que ela traz um conjunto das dimensões do ser humano, não limitando-se a tratar de uma dimensão específica, como afetiva ou emocional, por exemplo.
A Professora Aida apresenta as cinco grandes áreas no qual o Plano está organizado:
- educação básica: tem como perspectiva trabalhar a EDHA como um direito humano e que essa educação seja transversalizada.
- educação superior: a educação superior no Brasil ainda é muito conteudista e tradicional, tendo a memorização como principal forma de trabalhar o conhecimento. O que se busca, porém, é a relação entre ensino, pesquisa, extensão e diálogo com o conteúdo de direitos humanos. Os curriculos devem ter, de forma disciplinar ou interdisciplinar, conteúdos capazes de conscientizarem e formarem pessoas que conheçam e reivindiquem seus direitos. 
- educação não formal: orientar instituições [ONGs] a desenvolverem ações que tenham como eixo a discussão sobre direitos humanos.
- educação para os profissionais do sistema de justiça e segurança: a favor do bem social, esses profissionais devem ser bem orientador quanto ao assunto.
- educação e mídia: aprendemos por meio das comunicações, que forma opiniões e influencia atitudes. É preciso incluir a EDH, que deve ser trabalhada no ambiente da escola, trazendo a temática para o interior do conteúdo de suas disciplinas.

O Plano Nacional da Educação em Direitos Humanos é um grande avanço para o Brasil, sendo referência em outros países, e, de certa maneira, é um documento balizador, uma política pública para orientar os sistemas, governos, sociedade civil. Traz informações e linha prográmatica, um conjunto de ações que podem ser desenvolvidas para ampliar, incorporar e estimular a criação de novos documentos para que a EDH seja, de fato, fortalecida. 

Leitura sugerida: Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos: http://portal.mj.gov.br/sedh/ct/spddh/pnedh.pdf


sábado, 24 de março de 2012

Vídeo-aula 16: Encaminhamentos pedagógicos: blog no ensino de ciências

A vídeo-aula 16 é uma continuação da aula anterior. A Professora Monica Fogaça fala sobre os encaminhamentos pedagógicos, citando uma prática pedagógica, conduzida durante um ano, nas aulas de ciências, nas classes de 9º ano do ensino fundamental. 

A escolha do blog entre as mídias socias
- Web 2.0 (divulgação x produção): ferramenta online.
- mídias sociais (blog, wiki, redes sociais, podcast, videocast, RSS).
- síncronas (interação rápida) ou assíncronas (reflexão, pesquisa).
- tipos de uso: memória, divulgação de projetos, análise de casos, contato e discussão com audiência mais ampla, resolução de problemas, trabalho colaborativo.

A condução da prática pedagógica
- mapeamento das práticas culturais ("Orkut Concreto", prática realizada em sala de aula a fim de descobrir a cultura da comunidade).
- construção de temas culturais (conteúdos de ciências se incorporarão a esses temas).
- os alunos montaram grupos e produziam textos contando as experiências na sala de aula para postar no blog.
- negociação da prática cultural e observação de indicadores da gestão democrática = diferença entre uso de tecnologia digital e noção de tecnocultura - é preciso que haja um diálogo entre professor e aluno.
- leitura dos blogs para busca de pistas das representações de conceitos e de identidade e para preparo das atividades didáticas.
- vários tipos de atividades didáticas (laboratório, texto, debate, problemas) + estímulo da troca de comentários nos blogs.
- estudos de conceitos de física, química e biologia e de outras áreas (economia, história e linguagem) foram trabalhados com dois focos para descontrução: procedências (ressignificação e ampliação dos significados iniciais das culturas juvenis).

O blog e outras práticas pedagógicas devem ser utilizadas como meios de dialogar e facilitar a aproximação e maior eficácia na aprendizagem.


sexta-feira, 23 de março de 2012

Vídeo-aula 15: Produção da identidade/diferença: culturas juvenis e tecnocultura

Na vídeo-aula 15, a professora Monica Fogaça fala sobre a importância da tecnocultura/cybercultura na produção da identidade juvenil.

O que é juventude?
- Concepção natural ou cultural? Maturação ou produto das condições históricas e dos discursos? A autora afirma que mais do que uma etapa de maturação natural, juventude é o resultado das condições econômicas, políticas e culturais de cada época e local. Além, disso, há os discursos do meio que influenciam no que eles virão a ser. As culturas juvenis são produzidas por produções históricas e discursos.

2. Condições históricas e discursos
- Elite na Grécia Antiga (direito ao ócio): ser jovem na Grécia Antiga era até os 40 anos de idade, tempo para se preparar para os cargos de comando.
- Invenção da infância no século XVII (separação das práticas de adultos e crianças) - século 17: primeiro passo para a construção atual da juventude. Redução da taxa de mortalidade, invenção da imprensa, mudança das arquiteturas das casas, o que isola crianças e adultos.
- Necessidade pós-revoluções industriais (produção da juventude na classe média) - séculos 18 e 19: passa-se a ser necessário aprender mais que ler, escrever e contar, já que é necessário, agora, a preparação para o mundo do trabalho. 
- O estado de bem-estar social e a juventude transviada (produção da juventude para o empobrecidos e o papel das mídias) - 1945-1975: o auge do crescimento do capitalismo, principalmente na Europa e nos EUA, possibilita nova taxa de ingresso nas escolas. Surgem leis de garantia de acesso à educação até os 16 anos. No Brasil, a conquista é recente. Nessa fase, o crescimento econômico é concomitante ao crescimento das mídias, que começam a discursar formas de ver o que é ser jovem. A ideia de jovem universal: ser rebelde, usar drogas, fazer experimentações sexuais, gostar principalmente de rock.
Trailer do filme Juventude Transviada (Rebel without a case), de Nicholas Ray, 1955. O filme, com James Dean no papel principal, retrata muito bem a concepção de jovem da década de 50.

É importante lembrar que a mídia divulga aquilo que já é prática de alguns grupos sociais e, dessa forma, crianças e jovens podem se identificar, por conta do que já vivem em suas culturas e, assim, desenvolver novos comportamentos. A mídia não determina, o que existe é um processo de identificação.

- Noção da diversidade de cultura juvenis (identificação e ressignificação das mídias) - 1960: potência na escola. Não existe um padrão de cultura juvenil, vestimentas, gostos e comportamentos diferentes. 

O padrão de jovens divulgado pelas mídias: seguros, felizes, cheio de amigos. Disponível em http://vaccarezza.com.br/wp-content/uploads/2011/01/jovens-felizes.jpg




As diferenças.


O padrão de jovens agora divulgado nas mídias é o padrão de jovem de sucesso, feliz, seguro, popular, que participa de muitas festas, geralmente apresentado associado a artistas, esportistas; não ser, assim, dessa forma, é ser diferente. A mídia não inventa padrões, mas conhece grupos e segura essa identificação, encontrando tendências. O jovem é uma minoria subjugada na escola, pois os discursos apontam que ele é violento, agressivo, que não tem conhecimento; seus saberes estão contidos como 'não adequados para o mundo acadêmicos'. A escola deve mapear, levantar quais as características dos grupos de jovens da comunidade para produzir suas práticas pedagógicas, gerando produção - o que vai propiciar o diálogo durante as aulas.


3) Tecnocultura: a cultura juvenil urbana


A maioria dos jovens urbanos tem por cultura a internet. A MTV encomendou 5 dossiês de 1999 para verificar quais são os comportamentos dos jovens e descobriu a grande importância que tem os aparelhos eletrônicos na vida deles. Mais de 90% utilizam aparelhos eletrônicos e suas diferentes linguagens. 
- tecnologia digital x tecnocultura: vivem na internet um conjunto de práticas diferentes do que eles vivem do lado de fora. Não apenas usam a tecnologia, mas fazem parte dela, como se fosse algo integrado ao próprio corpo.
- Cyborgs: desnaturalização do copo, do tempo, do espaço, dos contextos, outras linguagens, outras formas de pensamento, o que confere poder e é o espelho dos limites que eles precisam ter.
- inseguros com o corpo, relação social presencial, com a violência, outras formas de intervenção (espaço com potencial democrática, associando-se com a tecnocultura)

No link, uma matéria de Outubro de 2010, veiculada no site da Revista Nova Escola, abordando o questão da forte ligação do jovem com a tecnologia. 


É preciso conhecer e respeitar práticas, dialogando, integrando, produzindo híbridos, em um espaço de ensino-aprendizagem que pode gerar influências sobre a formação das identidades juvenis.


terça-feira, 20 de março de 2012

Vídeo-aula 14: Dimensões da EDH

A professora Ana Maria Klein fala sobre as dimensões da EDH na vídeo-aula 14.

MARCOS DA EDH
- Década das Nações Unidas em Matérias de Direitos Humanos (1995 - 2005).
- No Brasil, o Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (PNEDH), elaborado em 2003 e revisto em 2006: traz orientações para que a EDH em Direitos Humanos seja implementada no país.
- O Programa Nacional de Direitos Humanos , PNDH - 3, tem um eixo dedicado à educação e cultura em direitos humanos.
- O Conselho Nacional de Educação elabora as Diretrizes Nacionais de EDH com caráter mandatório e previstas para 2012: instituições de educação terão que desenvolver uma EDH, desde a educação infantil até a graduação.

DIMENSÕES DA EDH: devem estar presentes em relação ao conhecimento construídos pelos alunos
1) Conhecimentos historicamente construídos sobre EDH e a sua relação com os contextos internacional, nacional e local
Conceitos: debates, pontos de vista, polêmicas e desafios relacionados aos DH.
História: origem, construção histórias dos direitos, relação entre democracia e DH.
Normas: instrumentos de direitos humanos, documentos internacionais e regionais de diferente natureza e efeito jurídico.
Instituições: instâncias de proteção de direitos.

2) Valores, atitudes e práticas sociais que expressem a cultura dos direitos humanos
Valores presentes nos instrumentos de EDH: dignidade, liberdade e responsabilidade, igualdade e não discriminação, justiça e equidade, solidariedade e cooperação, participação, pluralismo, diversidade e inclusão.

3) Desenvolvimento de processos metodológicos participativos de construção coletiva, utilizando linguagens e materiais didáticos contextualizados: estudante como elemento central do processo educativo, é importante que tenhamos metodologias que façam com que o aluno seja protagonista do processo.
Centralidade da aprendizagem e protagonismo discente. 

4) Fortalecimento de práticas individuais e sociais que gerem ações e instrumentos em favor da promoção, da proteção e da defesa dos direitos humanos, bem como a reparação das violações.
Pensamento crítico, cidadania participativa e meios (projetos investigativos e sociais, ações voltadas à comunidade).


Não basta ter informação de seus direitos. É preciso que se construam valores e que se reconheçam os direitos dos outros.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Vídeo-aula 13: Histórico da EDH – documentos referência

A professora Nazaré Zenaide fala sobre os documentos de referência na Educação em Direitos Humanos (EDH).

O Século XX é importante do ponto de vista da inserção dos Direitos Humanos nos documentos internacionais. Vamos aos principais:

1948: Declaração Universal dos Direitos Humanos: a partir dela, os países incorporaram às suas constituições. O tema do respeito integral aos direitos humanos é incorporado à educação.

1948: Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem.

1960: Convenção relativa à luta contra as discriminações na esfera do Ensino: é preciso não apenas proteger as crianças, mas educar no sentido de que a diversidade é um valor humano que precisa ser valorizado.

1966: Pacto dos Direitos econômicos, Sociais e Culturais: direito à educação não se restringe à igualdade de oportunidade, mas, cada pessoa, deve implicar-se na realização de direitos. A EDH é parte da educação. A educação é um direito e um meio indispensável para a realização dos demais direitos e desempenha um papel decisivo na promoção dos direitos humanos e da democracia, deve orientar-se para o desenvolvimento da dignidade da pessoa humana, a participação social e o pleno desenvolvimento da personalidade.

1969: Convenção Americana sobre Direitos Humanos

A partir de 74, a UNESCO cria documentos específicos para a EDH, que passa a fazer parte da política da educação dos países.

1989: Convenção sobre os Direitos da Criança: educar a criança para imbuir nela a noção de seus direitos e prepará-la para a cidadania.

1989: Convenção Europeia dos Direitos do Homem e das Liberdades Fundamentais.

1993: Declaração e Plano de Ação de Viena: é preciso fazer uma campanha no campo da mídia sobre a EDH, formar de professores capacitados para trabalhar com o tema e cada país deve criar sua política de EDH.

A Década da Educação em Direitos Humanos: 1995 a 2004 - os governos precisam institucionalizar seus comitês, planos nacionais, sua política de EDH, a fim de ampliar ao máximo a EDH, para que todos tenham acesso e saibam de seus direitos.

2001: Carta Democrática Interamericana.

2004: Programa Mundial de Educação em Direitos Humanos, proclamado pela ONU: elaboração de diretrizes que subsidiem o sistema forma de ensino, construção de normas e pactos exercitando a cidadania ativa, o sistema de ensino deve pautar-se pelos valores entendimento, responsabilidade mútua, igualdade, respeito, fraternidade, autonomia, autoestima.

2009: Conferência Mundial sobre o Ensino Superior: aponta como responsabilidade social da Educação Superior  "promover o pensamento crítica e a cidadania", assim como "o desenvolvimento sustentável, a paz, o bem estar e a realização dos direitos humanos", além de "contribuir para a educação de cidadãos éticos, comprometidos com a construção da paz, com a defesa dos direitos humanos e com os valores da democracia".

2010: Pacto Interamericano de Educação em Direitos Humanos: a EDH, mais que um simples conteúdo intelectual, deve ser entendida como mediadora entre a prescrição normativa e a realização dos direitos na cotidianidade; é fundamental e obrigatória para a democracia, necessidade do reconhecimento legal do direito à Educação em Direitos Humanos.