quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Vídeo-aula 4: Os Estudos Culturais e a convivência democrática

Na vídeo-aula 4, o professor Mario Nunes aborda o tema dos Estudos Culturais e a convivência democrática.

A Cultura como um processo antropológico. Disponível em http://www.grupoescolar.com/pesquisa/cultura-um-conceito-antropologico.html


Os estudos culturais contribuem para a produção de sujeitos na sociedade, particularmente nas escolas, reforçando a ideia de que a educação não pode ignorar as questões da relação entre cultura, estado, mercado e sociedade civil.
Esses estudos, teoricamente, surgiram com os intelectuais ingleses, colocando-se como um contraponto à cultura (alta cultura). Defendem a ideia de que, nas camadas populares, não existiam apenas mau gosto, passividade e assimilação, mas também resistência e produção. Funcionam como forma de intervenção social e suas análises visam contribuir para o desenvolvimento de uma cultura pública e uma sociedade democrática, ou seja, o reconhecimento das diferenças culturais e a distribuição de renda.
Sob a ótica dos Estudos Culturais, a cultura decorre de dois movimentos: antropológico e contra movimento. A cultura é vista em toda sua pluralidade, englobando aspectos não somente culturais, mas sociais e políticos.
Espaços de socialização, como escolas, bairros, locais de trabalho e lazer, entre outros, constituem-se como espaços de construção permanente de cultura, criando, assim, práticas significativas. 
A conceito de cultura deve auxiliar na compreensão dos processos históricos e sociais.

A escola atua como principal local de propagação de cultura e deve formar cidadãos conscientes de seu papel na sociedade democrática, abordando e trazendo reflexões sobre ética e valores sociais.

Vídeo-aula 3: A globalização e o impacto sobre as culturas

Na vídeo-aula 3, o professor Mário Nunes fala sobre a globalizaão e o impacto sobre as culturas.



O mundo globalizado: a tecnologia rompeu barreiras do tempo e espaço, aproximando povos. O mundo está cercado por clientes e empresas de todos os lugares, classes sociais, sexualidades mutias identidades e culturas que se comunicam de forma que jamais foi vista na humanidade. Essas mudanças atravessam fronteiras em escala mundial, tornado o mundo conectado. 


A globalização pode ser definida de várias maneiras:
- impacto avassalador dos processos econômicos globais, incluindo processos de produção, consumo, comércio, fluxo de capital e interdependência financeira.
- surgimento de instituições supranacionais, cujas decisões moldam e limitam as opções políticas dos Estados-Nações - impossível pensar no governo sem entender a pressão que sofrem de alguns órgãos, como Banco Mundial e FMI.
- A ascenção do neoliberalismo como discurso político dominante - trabalhar mais, produzir mais, com menor gasto social.
- o surgimento de novas formas culturais, de meios e tecnologias de comunicação globais, que moldam as relações de afiliação, identidade e relação entre as pessoas.

A identidade do sujeito globalizado é marcada pela presença da lógica do mercado e do consumo.

Com a globalização, o mundo ficou muito mais acessível para todos e o consumismo aumentou de forma avassaladora. Disponível em http://aprendizagemcompa2.pbworks.com/f/1243218963/consumismocarinho.jpg


A educação frente ao mundo globalizado:
- mercado de trabalho instável;
- novas demandas do mundo do trabalho;
- uma mão de obra internacional cada vez mais competitiva;
- maior uso da força de trabalho;
- crescente importância da produção intensiva do capital.

A escola contribui com o processo, já que é vista e compreendida como locus de formação do sujeito para atuar no mundo do trabalho.

Vídeo-aula 2: DH na América Latina e no Brasil

O professor Solon Viola, na vídeo-aula 2, fala sobre a questão dos Direitos Humanos (DH) no Brasil e na América Latina.

A ideia dos DH chega tardiamente na América Latina, já que a sociedade é feita para os colonizadores e não para ela mesma. Os escravos eram tratados como instrumentos, assim, não possuíam qualquer direito, sequer à condição humana. Então, a maneira pela qual os Direitos Humanos chegam ao Brasil é uma maneira que não se vincula à expressão Direito Humano, mas à negativa do privilégio do outro, uma recusa para a maioria.
A rebelião dos escravos, a fuga dos povos indígenas para o interior, procurando se livrar do homem branco, se fazem em nome da liberdade, mas não da liberdade que elimina a escravidão, por exemplo (no Brasil, proclamada a república, apenas 3% tinha o direito de voto).
Também no Brasil, podemos citar rebeliões movidas por povos, em busca de um lugar para viver, como a Guerra de Canudos, o movimento dos Muques e o Contestado, movimentos nos quais a população reivindicava sua autonomia.  Nesta mesma época, as reivindicações feitas nas cidades (lutas por descanso semana, jornada de trabalho), hoje incorporadas como DH, não recebiam esse nome. O Estado, ao contrário, tratava esses momentos, como arruaça e bandidagem, anarquia. O Estado não reconhecia os Direitos Humanos, e a sociedade clamava por eles sem chamá-los de Diretos Humanos. 

Depois da Segunda Guerra, o Brasil faz um esforço muito intenso para se livrar do tempo que havia percorrido durante sua história, no qual não havia qualquer sinal de cidadania. Inicia-se, então, na sociedade brasileira, a primeira experiência mais forte de democracia, um tempo curto que vai de 1945 a 1964, período em que governo brasileiro assina a Declaração Universal dos Direitos Humanos e incorporta alguns princípios à Constituição Nacional. O período é de negação absoluta de tudo aquilo que havia sido conquista da sociedade brasileira - um tempo de terror, o qual a sociedade brasileira não pode apagar de sua memória. Nesta época, pequenos grupos, formados por estudantes, professores universitários, intelectuais, senhoras da aristocracia, geralmente ligados à Igrejas Cristã, surgem nas grandes cidades brasileira e denunciam à sociedade e ao mundo as barbáries que aconteciam nos porões das delegacias de polícia e em algumas unidades das forças armadas, por exemplo. Politicamente, existiam dois partidos - um situacionista e outro oposicionista - e a sociedade desarticulada por completo, em certo momento, começa a se refazer, em duas óticas decisivas: as lutas pela liberdade e a recuperação do pressuposto de igualdade. As primeiras lutas são lutas claras pelas liberdade, pelo direitos civis e políticos. Depois, a luta pela anistia. Acompanha a essa sequência, a luta por uma constituinte soberana e por eleições diretas, mudando o jogo político brasileiro; neste momento, há espaço para o partido oposicionista, que amplia seu percentual eleitoral, ganhando a maioria nas assembleias e no Congresso, disputando efetivamente o direito às eleições majoritárias em todo o país. Começa a luta pelo fim do regime, intensificando a batalha pela anistia.
Essas lutas, que vão ocorrendo ao longo dos anos 70 e 80, constituem os DH no Brasil e, em paralelo a elas, a sociedade brasileira começa a se reorganizar.

Na América Latina, ocorrem movimentos parecidos. Na Argentina, a luta pelos DH produziu um prêmio Nobel para Carlos Esquivel, um jovem combatente argentino; produzindo uma mudança na cultura dos DH -a Argentina assume um lugar de reencontro com a história, que o Brasil ainda não conseguiu percorrer, ou percorre de forma muito mais lenta. Em contrapartida, ocorrem, no Brasil, muitos movimentos organizados, que reivindicam a luta pela liberdade: pela terra, por moradia, por alimento, por igualdade de gênero, livre manifestação de sexualidade, movimento de combate a discriminação racial, entre outros.

No vídeo, Oscar Vilhena, coordenador do programa de mestrado em Direito da FGV e especialista em Supremo Tribunal Federal e em Direitos Humanos, fala sobre a atual situação dos DH no Brasil

É preciso que a escola se incorpore a esse processo, para que cada indivíduo se saiba um sujeito de direitos. O professor deve repensar sua pedagogia e entender que seus alunos possuem inúmeros saberes, os quais devem ser respeitados. Professor e aluno necessitam, por meio de encontros dialogais, descobrirem-se como um sujeito de plenos direitos.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Vídeo-aula 1: Contexto histórico dos Direitos Humanos

"Dignidade e Justiça para todos nós". Imagem disponível no site http://imgfave.com/view/1805380 - imagens de domínio público. 

Na primeira vídeo-aula do terceiro módulo, o professor Solon Viola fala sobre a origem dos Direitos Humanos em sua dimensão histórica. 

Na Grécia Antiga, podemos citar construções que ilustram muito bem as primeiras manifestações de reivindicação de direitos. Por exemplo, a manifestação na arte - teatro. Antígona e Rei (representando o poder do estado). Quando Antígona debate com o Rei o direito de sepultar seu irmão, sob recura do Rei, ela lida com o direito sagrado da humanidade, o de chorar pelos seus mortos.

Também, na Idade Média, acontecem manifestações de reivindicação por direitos: situações, como a grande concentração de terras nas mãos de poucos, impulsiona a população a clamar por justiça.

No mundo contemporâneo, podemos citar o absolutismo francês. A população francesa se revolta, em meio a epidemias de fome, percebe que tem direitos e começa a reivindicá-los. LIBERDADE, IGUALDADE, FRATERNIDADE: três princípios chave para a condição humana constituir com o semelhante um debate permanente de ideias, sobre o que é necessidade, o que é supéfluo, o que não importa.

Outra citação do mundo moderno, que descrevem manifestações por direitos, são as guerras de independência constituídas na América, em busca de liberdade. Temos, aí, um rompimento com o sistema colonial e a busca dos cidadãos por autonomia. A decalarão dos cidadãos e dos direitos do cidadão de Virgina, EUA, constituem as primeiras Declarações dos Direitos Humanos. 

Desde Atígona, desde a Idade Méida e especialmente no mundo moderno, as Declarações surgem a partir de movimentos da sociedade, contra alguma forma de opressão, tirania, poder absoluto, concentração de privilégios. 

O século XIX, no entanto, mostra para humanidade que a igualdade não se concretizou e então, a partir da Revolução Industrial, recupera-se o princípio das lutas pela igualdade; os espaços de debate se transformam em espaços de guerra, com alta tecnologia, levando à morte centenas de seres humanos. Na primeira guerra, as trincheiras. Na segunda guerra, morte e discriminação.
Citamos, aqui, dois espetáculos de terror pleno: os campos de concentração e as explosões nucleares de Hiroshima e Nagasaki. A partir daí, o medo da morte passa a acompanhar a humanidade e no entanto, de lá para cá, não passamos um ano sem uma guerra declarada, sem guerras sociais, no planeta.

Campo de concentração em Auschwitz, no sul da Polônia. Mortes em massa. Disponível em http://istoesegundaguerra.blogspot.com/2009/09/campos-de-concentracao.html 

Vítima da bomba atômica de Hiroshima recebendo atendimento no Hospital de Hiroshima. Disponível em http://www.questgarden.com/49/49/4/070407143021/conclusion.htm

Como a humanidade reage ao terror da Segunda Guerra Mundial?
A população reage com uma declaração da humanidade, que se anuncia para o mundo como uma possibilidade para além do terror. A Declaração, no entanto, é pouco conhecida pelos povos do mundo todo. Os Direitos Humanos não podem ser tratados somente como uma Declaração, e sim visto como uma dimensão cultural, na qual as diferenças devem ser respeitadas, a igualdade se componha como um pressuposto da difrença e juntos, a humanidade consiga seus espaços de liberdade. Os problemas sociais ainda não estão resolvidos: epidemias de fome, problemas ambientais, problemas de uma certa ética no campo da ciência e medicina ou nas transformações de grandes mídias nacionais e internacionais.

É importante que nós saibamos que os Direitos Humanos não são apenas um universo de declarações de leis, mas que são, principalmente, reflexo de uma construção histórica feita pelos povos, no decorrer dos anos.

No link, um artigo do professor da UNICAMP Oswaldo Giacoia Jr., em que ele discute os direitos humanos na era bio-política: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2008000200002

domingo, 11 de dezembro de 2011

Vídeo-aula 28: Depressão na infância e adolescência

A professora Paula Fernandes fala sobre a depressão na infância e na adolescência na última vídeo-aula da disciplina Saúde na Escola.



DEPRESSÃO: transtorno de humor ou afeto; sentimento de tristeza profunda, associado com sintomas fisiológicos e cognitivos na pessoa, É importante saber que a depressão, comumente associada somente a adultos, está cada vez mais presente na vida das crianças e dos adolescentes. 

Prevalência 
- crianças na pré-escolas: 1%;
- crianças em idade escolar: 2 a 4%;
- adolescentes: 5 a 8%;
- distribuição entre sexos: similar na infância, tanto em meninas quanto meninos - na adolescência começa a ser mais prevalente no sexo feminino.


Sintomas (de acordo com CID 10 e DSM-IV)

- humor deprimido;
- perda de interesse e prazer pro atividades anteriormente satisfatórias;
- diminuição da energia.

Causas
Questão multifatorial:
- biológicas: genética, estrutura e química do cérebro
- psicológicas: stress, traumas, desamparo, forma de perceber e de lidar com o mundo;
- sócio-culturais: papéis, expectativas, suporte social.

Fatores de risco
- história familiar de depressão;
- sexo feminino;
- episódios anteriores de depressão;
- acontecimentos estressantes;
- dependência de droga;
- violência doméstica;
- elevada exigência acadêmica.

Sintomas característicos
- tristeza;
- falta de motivação;
- solidão;
- humor deprimido irritável ou instável;
- mudanças súbitas de comportamento;
- mudanças de apetite e, consequentemente,  de peso;
- dificuldade em divertir-se: tédio;
- preferência por atividades solitárias;
- queixas físicas: cansaço, falta de energia, insônia, dor de barriga;
- pensamento recorrentes de morte;
- procupações;
- sentimento de culpa incontrolável;
- baixa autoestima;
- choro excessivo;
- hipoatividade;
- fala em ritmo devagar, de forma monótona e monossilábica.

Na escola, como perceber:
- queda do rendimento escolar;
- falta de concentração;
- perda de interesse pelas atividades;
- falta de motivação;
- pensamento lentificado;
- impulsividade e irritabilidade;
- choro fácil;
- isolamento na sala de aula e no recreio;
- dificuldade  nos processo cognitivos.

Consequências 
Além as dificuldades sociais e acadêmicas, a depressão compromete o desenvolvimento e funcional social: recorrência na idade adulta.

Tratamentos
- medicação;
- psicoterapia;
- suporte familiar;
- psicoeducação: rede de apoio, suporte social: escola, trabalho e amigos.

Depressão: aspectos importantes
- identificar os antecedentes do episódio depressivo;
- minimizar o impacto negativo dos sintomas depressivos;
- aumentar a eficácia dos esforços de soluções de problemas;
- a pessoa precisa aprender habilidades para lidar com probelmas futuros.

Entrevista concedida ao Programa Mulheres, da TV Gazeta, com o Dr. Nicholas Schor sobre a depressão infantil.

É necessário que nós, educadores, fortaleçamos as condições capazes de garantir a busca por ajuda em todos os contextos e inserir a criança e o adolescente em uma rede social: família, trabalho, escola e comunidade.  

sábado, 10 de dezembro de 2011

Vídeo-aula 27 : Stress e ansiedade na infância e na adolescência

A professora Paula Fernandes, na vídeo-aula 27, aborda o tema "stress e ansiedade na infância e na adolescência", que influenciam no desenvolvimento acadêmico e na relação entre os alunos.

Stress e Ansiedade
- reações do organismo diante de situações difíceis ou excitantes - qualquer pessoa pode apresentar stress ou ansiedade em algum momento da vida.
- em períodos de stress e ansidedade: equilíbrio da pessoa é afetado e cada órgão passa a trabalhar em ritmo diferente dos demais; dependendo da duração dos sintomas e da interpretação dos estímulos, pode haver uma quebra do equilíbrio interior e enfraquecimento do organismo, além de sintomas e doenças.

ANSIEDADE
- características biológicas e psicológicas que antecedem momentos de perigo, real ou imaginário;
- marcada por sensações corporais, geralmente desagradáveis, como vazio no estômago, taquicardia, sudorese, medo intenso, aperto no peito, rubor, calafrios, nó na garganta, confusão.
- nem sempre pode ser considerada ruim: é também considerada uma energia que move o ser humano.

Em reportagem de Lisa Fávaro, veiculada pela TV Universitária, alguns apontamentos sobre a ansiedade infantil.


Reportagem veiculada pelo programa Hoje em Dia, da Rede Record de Televisão, sobre ansiedade infantil.

STRESS INFANTIL
- toda criança já enfrenta situações estressasntes: acidentes, doenças, hospitalizações, mudanças, tensões geradas pela necessidade de sempre ter autocontrole;

Causas do stress infantil:
a) causas internas: características da personalidade, pensamentos e atitudes da criança diante de situações da vida, interpretação - ansiedade, depressão, medo do fracasso, preocupação com mudanças físicas, interpretações amedrontadoras.
b) causas externas: devido a mudanças significativas na vida da criança, como brigas e separação dos pais, perdas, disciplinas confusas, nascimento de irmão, doença e hospitalizações, trocas de professores.

Consequências quando não tratado: asma, úlceras, alergias, distúrbios dermatológicos, diarreia, tiques nervosos, dores abdominais, resistência reduzida, hipertensão alterial, obesidade e bronquite.

- uma situação pode ou não ser estressante, depende no nível de interpretação da criança.
- existem crianças praticamente invulneráveis às tensões da vida, e outras são mais sensíveis.

O vídeo traz uma reportagem sobre o stress infantil. O pediatra Moisés Chencinski fala sobre como evitar o stress infantil, em entrevista veiculada pelo Programa Hoje em Dia, da Rede Record de Televisão. 

Papel do professor
Ações do professor capazes de minimizar os efeitos do stress infantil
- conhecer os alunos;
- motivar os alunos;
- incentivar os alunos a perguntarem;
- escutar o aluno, sem críticas ou julgamentos;
- promover autoconfiança e reconhecimento;
- respeitar o ritmo de cada um;
- promover atividades em grupos;
- promover atividades calmas e tranquilas;
- servir como modelo para o aluno, o professor deve adequar suas atitudes.
É importante que o professor tenha o cuidado de não levar até o aluno seus próprios problemas, pessoais ou profissionais, pois podem interferir na relação de ensino e aprendizagem do aluno

A ansiedade e o stress infantil não se manifestam isoladamente; é preciso compreendê-los omo um conjunto de sintomas, e realizar encaminhamentos a especialistas quando necessário.


MAIS:O link http://www.guiame.com.br/v4/25154-1702-No-Brasil-80-das-crian-as-t-m-algum-sintoma-de-estresse-infantil.html traz uma reportagem sobre o stress infantil no Brasil. 



terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Vídeo-aula 26: Uh-Batuk-Erê: Uma ação de comunidade

O professor Edson Azevedo, na vídeo-aula 26, traz uma experiência realizada na EMEF Professora Esmeralda Salles Pereira Ramos, no Tremembé. 
O projeto Uh-Batuk-Erê, tendo a arte como mediadora do multiculturalismo presente na identidade brasileira, iniciou-se devido aos estigmas observados na comunidade escolar: baixa autoestima, dificuldade de se colocar e expressar opiniões, distorções de identidade. Os muitos conflitos existentes no ambiente escolar e, na comunidade, mais amplamente, impulsionou o projeto, que tinha como objetivos principais garantir maior autonomia entre os alunos e estabelecer uma relação de diálogo entre os diversos saberes e tradições.

Etapas do projeto
1) encontros de formação;
2) oficinas: percussão, dança, capoeira, artesanato, oralidade, canto;
3) fóruns comunitários: espaço de discussão (demanda, estigmas, preconceitos, tomadas de decisão). A escola, assim, passa a assumir seu papel de responsabilidade em relação aos problemas da comunidade. Contato com leituras e textos - elaboração da Carta ao Esmeralda (carta de intenções com demandas colocadas pelos membros da própria comunidade e encaminhada para órgãos responsáveis);
4) trilhas culturais - jovens protagonistas vivenciando outros espaços da cidade de cultura e lazer;
5) apresentações externas (levar a experiência para outras comunidades) e internas (mostrar para a comunidade, em confraternizações, os resultados positivos do projeto - mudanças de comportamento entre os alunos, por exemplo).  

Conquistas locais e externas 
Locais: reconhecimento da escola como ser de referência de cultura afro-indígena. A escola obteve prêmios e mençoes honrosas - fortalecimento do grupo.
Externas: âmbito federal. Os alunos cumpriram seu papel de protagonistas e organizaram o espetáculo "Mulheres e Divindades", exibido em São Paulo.

O que o projeto trouxe de inovador?
Fundamentalmente, o diálogo permanente entre a ação, a emoção e a nova ação, em um processo contínuo de formação que aproxima seus componentes - processo de ruptura.

O que mudou com o projeto?
- relação como grupos;
- atuação e envolvimento nos espaço-escola;
- compartilhamento de ações coletivas;
- encontros comunitários;
- redução de preconceitos e desigualdades;

Em que os alunos passaram a acreditar?
- resultados concretos e mensuráveis;
- ressignificação da escola como elemento agregador;
- envolvimento da comunidade;
- valorização do saber popular associado ao sistematizado;
- construção da cidadania com emoção e conhecimento;
- formação e reconhecimento de suas próprias histórias.

Após as apresentação do projeto Uh-Batuk-Erê, fica claro que a escola tem um papel muito grande de responsabilidade comunitária, e pode, junto à comunidade, transformar espaços, indo além de seus muros. Os fóruns precisam exisitr, como espaços de discussão e busca de soluções para os problemas enfrentados pela escola e comunidade.

"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." (Fernando Pessoa)